Apresentação
Revista de Educação e Linguagem – Entre-Lugares: construção e Linguagens, identidades e saberes formativos docentes.
Vol. 2, n° 2, Dezembro de 2013
Esta Revista recolhe experiências vivenciadas em pesquisas realizadas por docentes e discentes com os textos que apresentamos a seguir O nosso foco aqui, nesta breve metanarrativa prefacial pode ser introduzindo um metatítulo que poderia sinalizar uma “colcha de fuxicos” ou uma “pedagogia dos fuxicos” a moda do nosso ilustre colega feirense, meu xara Miguel Almir.
Talvez já desde esta inexorável e incontestável definição possa ser pertinente pensar-se algumas questões sobre os discursos e projetos que tem como foco questões de formação de professores e dimensões dos processos de interação das relações entre pensamento, linguagem e as mais variadas formas de expressão e comunicação no âmbito das novas tecnologias.
Dai a relevância de pensar e refletir sobre a constituição de nossos saberes e paradigmas apresentados nos textos desta singela coletânea.
Um primeiro capítulo do professor Robério Pereira Barreto cobre WEBLETRAMENTOS: DA SEQUENCIA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE GÊNEROS TEXTUAIS MÚLTIPLOS em que nos apresenta-se na perspectiva de discutir as possibilidades pedagógicas para o ensino e aprendizagem de gêneros textuais múltiplos, a partir do reconhecimento de que o weblog é locus de produção textual e é também potencializador e incentivador de interações verbal e social entre sujeitos – escritores, leitores – por meio do emprego da escrita como tecnologia intelectual. Postula-se a tese de que o weblog educacional e ou pessoal como locus de práticas de ensino e de aprendizagem escrita, potencializa de modo substancial o processo interacional colaborativo entre professores e estudantes, considerando que tais sujeitos, inseridos no mundo das práticas digitais escritas se tornam criativamente ativos, ai nesses singulares textos aqui apresentados vejo muito auspiciosamente e com enorme satisfação este livro instigante, importante e interessante que ora temos a honra de prefaciar em que o foco não é apenas acompanhar e refletir sobre a escola e suas praticas, mas refletir sobre o papel da universidade e da sociedade nesta empreitada impar. Através dos singelos capítulos podemos acompanhar testemunhos emergentes destas mediações que nos convidam a reflexões singulares a cultura participativa da web, tornando-se webletrados devido a vivencia com a linguagem multissemiotica da rede.
Um segundo capítulo da professora Priscila Peixinho Florindo sobre MULTILETRAMENTOS NO CONTEXTO DIGITAL em que a autora partindo de observações do contexto sócio-histórico e cultural na atualidade, reflete sobre os processos de leitura e a produção textual desde o ponto de vista de práticas sociais realizadas por sujeitos, que revelam crenças, valores, sentimentos e intenções. Nesta perspectiva, o objetivo é abordar os gêneros emergentes, surgidos com o advento tecnológico, que assumem modalidades diferentes da escrita e da oralidade, sem, no entanto, excluí-las. Dessa forma, estamos imersos nos multiletramentos, pela diversidade da linguagem nos espaços multissemióticos; em que o aprendiz, orientado pelo professor, torna-se sujeito de seu próprio dizer/fazer, isto é, protagonista de seu percurso de aprendizagem.
Um terceiro capítulo em que a professora Sayonara Nobre de Brito Lordelo nos apresenta questões sobre A IDENTIDADE DO PROFESSOR DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA: REFLEXÕES SOBRE O CONTEXTO E A PRÁTICA e discute sobre a formação e a ação docente na Educação Profissional Tecnológica – EPT, a abordagem a esse tema inicia-se a partir da análise sobre as inovações em contexto produtivo e social e a repercussão sobre o novo perfil demandado para esse docente. A ideia central é contribuir para o estabelecimento de um debate teórico-prático, a fim de que se construa uma solução duradoura e coerente com as verdadeiras necessidades da EPT e da contemporaneidade. A formação e a identidade do docente da EPT tornaram-se questão de grande relevância, as inovações científicas e tecnológicas têm requerido uma formação profissional diferenciada e uma ação docente inovadora capaz de atuar no cenário desafiador imposto pelo mundo do trabalho, suscitando questões sobre as políticas de formação docente e o papel da educação para além do aprendizado técnico.
Um quarto capítulo em que as professoras Iara Rosa Farias e Viviane Fernandes Fraga da Silva nos falam sobre o tema A APRENDIZAGEM DA ESCRITA DOS ALUNOS DAS CLASSES DE ALFABETIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS À LUZ DA PSICOGÊNESE DA LÍNGUA ESCRITA mostrando que os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) constroem hipóteses no processo de aprendizagem da escrita como faz a criança durante a alfabetização. Os estudos da pesquisadora Emília Ferreiro sobre a língua escrita nortearam as reflexões deste trabalho e sustentaram a análise das produções escritas que se apresentam neste artigo. Estas foram coletadas durante a pesquisa de campo, realizada com três turmas de alfabetização de uma escola municipal, em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador, Bahia. O trabalho de campo aconteceu no ano de 2010. Além do trabalho de Ferreiro, nos apoiamos também em estudos do campo da linguística para realizar as analises.
Um quinto capítulo em que os professores Érica Tereza Pimentel Guimarães, Maximiano Martins de Meireles e Isac Pimentel Guimarães nos apresentam uma importante temática sobre A LÍNGUA E O JOGO DE PODER ÉTNICO-RACIAL NO FENÔMENO BULLYING: UM OLHAR SOBRE AS MENTALIDADES DOS SUJEITOS DA ESCOLA MUNICIPAL SÃO MARCOS NA COMUNIDADE DO OVÓ II Neste trabalho apresentam uma reflexão sobre a construção discursiva e a formação das mentalidades que permeiam o jogo de poder étnico-racial no uso da língua no contexto escolar, evidenciando o fenômeno bullying a partir da análise dos dramas vividos por crianças negras na Escola Municipal São Marcos, na comunidade Ovó II, localizada no município de Tucano-Bahia. Os resultados da inserção evidenciam que as crianças negras trazem em seu discurso elementos da formação da classe dominante, contribuindo de certa forma, para reforçar as estruturas de dominação e preconceito em relação ao negro -, o que nos fornece indícios valiosos para se compreender os dramas e os processos educativos vivenciados por elas…
Um sexto capítulo em que os professores Anderson Lopes da Silva e Fernando Klein nos apresentam um tema destacado com o título EDUCOMUNICAÇÃO: BREVE PANORAMA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA EM SÃO JOÃO DO IVAÍ-PR EM UMA ANÁLISE DO RADIODOCUMENTÁRIO “INCLUIR: UM VERBO QUE DESAFIA A ESCOLA” (2011). O foco desta comunicação e uma reflexão sobre a educação inclusiva que é vista por muitos como a grande solução para tornar o ensino público realmente público e democrático, mas, ao mesmo tempo, também é um tema polêmico ao se tratar da inadequação das escolas e a falta de preparo especializado dos professores. Tendo em vista a complexidade do assunto, o presente artigo tenta tecer breves considerações sobre a educação inclusiva no município de São João do Ivaí, na região norte paranaense. Partindo de uma pesquisa e produção prática de um radiodocumentário de 45 minutos acerca da inclusão nas escolas regulares da zona urbana do município, vários pontos de vista sobre o assunto são levados à tona por professores, alunos, especialistas, médicos, entre outras profissionais. Justamente por se tratar de uma atividade oriunda da comunicação social, o trabalho aqui exposto também tem objetivo de mostrar a inter-relação entre este campo e o da educação, chegando assim à Educomunicação.
Um sétimo capítulo em que a professora Luciana Vieira Mariano nos apresenta o destacado tema sobre O ENSINO DE CULTURA ATRAVÉS DO CINEMA NAS AULAS E NA FORMAÇÃO DOS PROFESSORES DE ESPANHOL COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA defendendo que as atuais abordagens relacionadas ao ensino/aprendizagem da Língua Espanhola indicam que é necessário conhecer e fazer conhecer as culturas dos povos hispânicos e que, para conhecê-las, torna-se necessária uma leitura crítica sobre as formas como estas diversidades culturais nos são apresentadas. Estas considerações e o fato de que uma das formas de apresentação destas identidades culturais são as representações presentes nos filmes hollywoodianos nos levaram à propor uma discussão acerca do uso do cinema nas aulas de espanhol e na formação de professores desta disciplina.
Um oitavo capítulo em que a professora Erica Bastos da Silva nos apresenta a importante discussão sobre
REFLEXÕES EM TORNO DA LÍNGUA BRASILEIRA: A QUESTÃO DA (s) NORMA(s) Neste trabalho discute algumas reflexões sobre a (s) norma (s) presente(s) na língua brasileira, mostrando os conceitos de norma-culta, padrão e popular, salientado como se constituem e são usados para legitimar hierarquias, poderes, etc. O trabalho apresenta também reflexões sobre como a norma-culta se torna hegemônica e polemiza de que modo isso se define. Torna-se importante discutir sobre essas questões à medida que o discurso linguístico está cada vez mais presente na educação. Nessa perspectiva, são necessárias constantes análises sobre a forma de lidar com as diversas linguagens que adentram o contexto educacional.
Um décimo capítulo apresentado pelas professoras Jussara Fraga Portugal, Simone Santos de Oliveira e Mariana Martins de Meireles sobre MEMÓRIAS ESCOLARES: AS APRENDIZAGENS CARTOGRÁFICAS NAS TRAJETÓRIAS DE ESCOLARIZAÇÃO versa sobre o ensino e aprendizagem da Cartografia a partir da contemplação de memórias das aprendizagens no âmbito das vivências na educação básica. Trata-se de uma pesquisa desenvolvida por professores de Prática de Ensino e Estágio Supervisionado em Geografia da Universidade do Estado da Bahia – Campus XI, em Serrinha, na cidade pólo do Território do Sisal, no semiárido baiano. O objetivo principal desta investigação foi analisar, a partir de narrativas (auto) biográficas e das trajetórias de escolarização na educação básica, de professores de Geografia em formação inicial, as aprendizagens de conceitos e temas da Cartografia ensinada no espaço escolar. O trabalho foi desenvolvido a partir da escrita de memoriais contemplando relatos de experiências vivenciadas no cotidiano escolar na Educação Básica sobre a aprendizagem de conteúdos de Cartografia. Ao evocar as memórias e narrar as suas experiências na sua trajetória de escolarização, os professores em formação vão atribuído sentido e significado às situações experienciadas e refletindo sobre o saber-fazer no cotidiano da sala de aula.
Um décimo primeiro capítulo da professora Lormina Barreto Neta sobre o destacado tema ELEMENTOS PSICO-SOCIAIS SUBJACENTES AOS TEXTOS INFANTIS reflete sobre a literatura infantil, faz-se presente no contexto educativo das escolas, ora como entretenimento ora como conteúdo de estudo, principalmente nas classes de educação infantil e primeiros anos do ensino fundamental. Consequentemente conhecer a estrutura e o conteúdo subjacente a esse gênero textual é condição básica para que o educador possa fazer mediações adequadas no cotidiano da sala de aula. O objetivo deste trabalho é analisar aspectos estruturais e de conteúdo ideológico presentes em dois contos: Branca de Neve – conto tradicional, e O Menino Maluquinho[1] – conto moderno, visando estimular o olhar analítico crítico dos leitores.
Um ’décimo segundo capítulo apresentado pelo professor Darcy Ribeiro de Castro discute a questão da PRESERVAÇÃO AMBIENTAL: UMA EXPERIÊNCIA PILOTO no contexto de um projeto
O projeto “A preservação Ambiental: Uma experiência piloto” foi desenvolvida no município de Central, Noroeste da Bahia, no período de 2004-2005. Objetivou-se sensibilização da população local sobre a preservação dos sítios arqueológicos e/ou reservatórios de água com seus respectivos complexos de vegetação circunvizinha através de ações coordenadas pela escola COOPEC, tendo em vista a formação de uma rede de multiplicadores ambientais nas escolas Municipais, Estaduais, Cooperativas, associações, sindicatos e instituições religiosas. A coleta de dados foi realizada mediante observação participante e questionário, sendo os registros feitos através de notas de campo e de áudio e vídeo. Os dados foram transcritos, analisados de forma comparativa e usados para elaboração de cartilhas educativas, textos, relatórios e materiais audiovisuais para fins de auxiliar no planejamento e desenvolvimento de ações intra e extraescolar.
Nesta revista, pois, podemos ver que se recolhem destacados e relevantes momentos e vivencias para pensar-se e refletir-se sobre as formas de comunicação e o pensar desde precisamente o nosso lugar, a nossa instancia, que e o lugar da universidade comprometida com a sociedade e escola para tentar ser um elo, tentar juntar e crescer juntos nesta colossal empreitada.
Parabéns a todos pela caminhada e que este livro possa plantar, semear e recolher outros com alegria do nosso convívio fértil e fecundo,
24 de outubro de 2013, Primavera, Rio Vermelho, Salvador – BA
Miguel Angel Garcia Bordas
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